Leilão A-5 contrata 815,6 MWh e movimenta R$ 8 bilhões.
O 39º Leilão de Energia Nova A-5, realizado nesta sexta-feira (22) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e conduzido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), resultou na contratação de 815,6 MW de capacidade instalada. O montante será gerado por 65 usinas hidrelétricas, com preço médio de R$ 392,84/MWh, representando deságio de 3,16% em relação ao teto de referência de R$ 411/MWh.
Os investimentos somam cerca de R$ 8 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch). Considerando o custo médio de R$ 10 milhões por megawatt instalado, o volume total de investimentos pode chegar a R$ 8,8 bilhões.
Durante o leilão, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o impacto social das PCHs. “Asseguramos o presente e o futuro. Se considerarmos o potencial de 13 GW de novas hidrelétricas até 50 MW já colocadas em perspectiva, conseguiremos gerar até 800 mil empregos”, afirmou.
Silveira também ressaltou o papel estratégico da energia hidrelétrica para a reindustrialização do país. “A retomada das hidrelétricas impulsiona a indústria brasileira, pois dominamos todas as etapas da cadeia de produção, desde a engenharia até a operação”, declarou.
A energia contratada será integralmente nacional. Do total, 96,92% serão provenientes de novos projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) — empreendimentos que aguardavam há 12 anos por este leilão —, enquanto 3,08% correspondem a Usinas Hidrelétricas (UHEs). Há projetos contemplados em todas as regiões do Brasil.
“A contratação de quase 815,6 MW instalados representa uma retomada muito importante para o setor de PCHs, com aproximadamente R$ 8 bilhões em investimentos e a geração de quase 50 mil empregos no país”, afirmou a presidente da Abrapch, Alessandra Torres de Carvalho, durante seu discurso no leilão.
A predominância entre os projetos vencedores foi de PCHs e CGHs, distribuídas por diversos estados, com destaque para Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná. O investimento global estimado nos empreendimentos vencedores é de R$ 5,46 bilhões. Somente no Paraná, os 11 projetos aprovados somam R$ 1,5 bilhão em investimentos para geração de energia.
“Ainda temos cerca de 13 GW de PCHs inventariadas pela Aneel, que poderiam gerar mais de R$ 100 bilhões em investimentos e mais de 1 milhão de empregos em mais de 3 mil municípios. No entanto, este leilão já representa um marco para o setor elétrico brasileiro”, reforçou Alessandra.
Ela também rebateu críticas às PCHs, que, segundo afirmou, foram incorretamente classificadas como “jabutis”. “São, na verdade, políticas públicas de desenvolvimento regional, de qualidade e renováveis”, afirmou, ao destacar que as PCHs e CGHs geram emprego, renda e contribuem para a proteção ambiental por meio de seus reservatórios.
Além de fornecer energia limpa e renovável, os empreendimentos hidrelétricos desempenham um papel socioambiental relevante. Eles contribuem para o aumento significativo das matas ciliares no entorno das áreas de preservação permanente — em média 3,5 vezes mais —, promovem a preservação das nascentes e possibilitam a retirada de resíduos dos rios, melhorando a qualidade da água para a população.
Esses empreendimentos também geram emprego e renda, elevam o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das regiões onde estão inseridos, apresentam baixa emissão de carbono e não deixam passivos ambientais após o término de sua vida útil, diferentemente de outras fontes de geração de energia. Esses fatores reforçam os múltiplos benefícios econômicos, sociais e ambientais associados à expansão da matriz hidrelétrica.